Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Esposende,
Tivemos oportunidade de ler, atentamente, o comunicado que V.ª Ex.ª fez publicar no site na Câmara Municipal que preside e, quanto ao mesmo, gostaríamos de notar o seguinte:
1.- Quanto à capa:
Talvez por não sermos políticos não estamos formatados para prestar atenção aos pormenores e, muito menos, para atribuir-lhes um qualquer significado.
Somos gente simples, transparente, espontânea e que, até por isso, comete erros: levamos o nosso projecto impresso em folhas soltas, a capa da Câmara apareceu à mão e serviu para reuni-las. Tão só! Mas tem toda a razão: foi um lapso lamentável da nossa parte, do qual nos penitenciamos, até porque é, para nós, ponto de honra demarcar o nosso plano de qualquer cor política ou associa-lo a qualquer entidade pública.
O nosso plano é do povo e para o povo e, como bem anota, o nosso gesto – embora incauto- poderia colocar em crise a independência e isenção da nossa proposta. Estamos, porém, convictos que qualquer abordagem, ainda que perfunctória, à exposição introdutória que acompanha o plano afastará, rotundamente, qualquer conexão da nossa proposta aos desígnios camarários, aliás, claramente assumidos no comunicado que V.ª Ex.a fez publicar.
Mas para que não restem dúvidas, reiteramos que o Plano é nosso- dos proprietários das construções, dos arrendatários, dos pescadores, dos utentes da praia, dos defensores do património histórico, arquitectónico e cultural-, é de todos mas não é, seguramente, o plano da Câmara Municipal de Esposende.
2.-Quanto à “intoxicação” da opinião pública:
Não temos a pretensão de mobilizar quem quer que seja.
Não agimos para a opinião pública.
A nossa pretensão é clara: não concordamos com o destino traçado para as Pedrinhas e Cedovém e apresentamos um plano alternativo, coerente com os objectivos da Polis e que melhor concilia os interesses em presença.
A nossa atitude é, e sempre foi, pró-activa, construtiva, dialogante. Nem sempre, é certo, tivemos o seu reflexo nos nossos interlocutores, mas isso nunca alterou a nossa forma de estar.
Discordamos, fundadamente, do plano de execução que a Polis se propõe implementar, apresentando soluções alternativas.
Somos coerentes no nosso discurso, nos meios pelos quais os veiculamos e nos objectivos que visamos alcançar.
Unimos esforços e vontades, estudamos, trabalhamos e concebemos uma proposta concreta, sustentável e exequível.
Não nos limitamos a criticar.
Não somos do contra.
Sabemos que esta forma de actuar é algo insólita, mas associá-la a qualquer estratégia de intoxicação é desvirtuar o sentir do povo que a concebeu .
Estamos convictos que a participação de todos nos destinos das Pedrinhas e Cedovém é salutar e profícuo.
Estamos dispostos a ouvir, e aspiramos a ser ouvidos.
Só isso, sem estratégias ou toxicidades.
3- No demais:
Congratulamo-nos pela posição assumida pela Câmara Municipal de Esposende quanto à situação de Cedovém, aliás, em alguns aspectos, consentânea com a solução que apresentamos.
Quiçá, num golpe derradeiro para a “especulação” e “desinformação”, devesse ser dito claramente aos pescadores e aos proprietários em que consiste “o previsto no Plano de Ordenamento da Orla Costeira”.
Pena, também, que a aldeia histórica das Pedrinhas não tenha sido notada.
Em todo o caso, Senhor Presidente, da nossa parte nada foi ou será “dito em contrário”, até porque só agora, por via do comunicado a que nos referimos, ficamos cientes da concreta posição assumida pela Câmara Municipal de Esposende no actual estado do projecto.
Com os melhores cumprimentos,
José Godinho
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