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2015/11/21

RAZÃO


RAZÃO

I
Porque suporto um sofrimento intenso?
Porque, vendo a Miséria, eu adivinho
Quanta dor há no seu viver mesquinho?
Eu sofro, porque sinto, porque penso.

Porem querendo, facilmente venço
A Dor com que a mim mesmo de definho.
E rio logo, delirando, imenso.

Mas só pela minha alma ser afeta
A delicado sentimentalismo,
A Natureza fez de mim um Poeta.

A Dor é tributo da Razão
Entregue à Natureza, penso e sismo...
E, enquanto sismo, quantos chorarão!

II
Bebo um copo de Porto, com ardor,
E logo me adormece a mágoa e invade
Meu ser uma letal felicidade
Que me tolda a razão levando a dor.

Mas há alguma coisa superior
Ao cérebro que tem a claridade,
Que esparge a luz ardente da verdade?
A uma razão pujante de Vigor?

Ela que imortaliza alguns mortais,
Me vai tornando um ser menos mesquinho,
Aperfeiçoa, eleva os meus ideais.

Por isso, a Dor há de tentar-me em vão
A acalenta-la na embriagues do vinho,
Que, embora dê prazer, tolda a Razão.

Roberto C Macedo 1909




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