“Há efetivamente algumas redes que capturaram o Estado e que utilizam o aparelho do Estado para a prática de atos ilícitos e, felizmente, algumas estão a ser combatidas, mas outras continuam a fazer isso e há até outras que começam”, considerou Joana Marques Vidal em entrevista à Rádio Renascença esta sexta-feira publicada.
A ex-PGR destacou as “redes de corrupção e de compadrio, nas áreas da contratação pública” que se disseminam entre vários organismos de ministérios e autarquias.
“Se nós pensarmos um pouco naquilo que são as redes de corrupção e de compadrio, nas áreas da contratação pública, que se espalham às vezes por vários organismos de vários ministérios, autarquias e serviços diretos ou indiretos do Estado, infelizmente nós estamos sempre a verificar isso”, lamentou Marques Vidal.
A antiga PGR nega, contudo, ter visão catastrófica sobre o fenómeno da corrupção em Portugal: “Eu não tenho, de maneira nenhuma, uma ideia catastrófica de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os políticos são corruptos. Não tenho nada essa ideia”, disse, acrescentando que é “uma defensora de que os partidos são um elemento essencial da democracia“.
E acrescentou: “Poderemos depois discutir se deviam estar mais abertos ou menos abertos, autorregenerem-se, não serem tão complacentes com certos tipos de atividades, mas isso é outro tipo de discussão”.
Tal como observa a RR, Marques Vidal retoma o discurso que fez no início do seu mandato como procuradora em 2015. Na altura, em entrevista à RR e ao jornal Público, falava no singular, descrevendo uma rede só. Atualmente, explicou, tem a mesma visão, mas consideram que existem várias destas redes de corrupção instaladas e não apenas uma.
“Temos que reconhecer que estas redes existem. A única coisa que acrescentaria ao que disse nesse dia era pôr um “s” à frente da “rede”, concluiu a ex-PGR.
ZAP. aeiou
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