INTRODUÇÃO

Pedrinhas e Cedovém são dois Lugares à beira mar, situados entre Ofir e a Apúlia, no concelho de Esposende - PORTUGAL.

Localizam-se num lugar calmo em cima do areal, onde pode almoçar e jantar com uma gastronomia típica local e poder usufruir de uma paisagem natural marítima Atlântica a uma temperatura do Litoral do Sul da Europa .
Onde construções CELTAS desabrocham de fundações milenares, que resulta uma relação de interligação com a paisagem. Os caminhos e os percursos de acesso ainda se encontram em areia e criam uma composição que conjuga de forma perfeita entre a topografia e época das construções, o que dá um cunho único ao Lugar. Se estivermos acompanhados com alguém especial, imediatamente nos apaixonamos e nunca mais conseguimos cortar o "cordão umbilical" com este LUGAR cheio de magia e de uma beleza natural única.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Os três avisos do mar


Um velho pescador fizera fortuna a retirar do mar todo o peixe e todo o marisco que ele tinha para lhe dar. Com o dinheiro ganho, construiu casas e comprou terras. Quanto mais ganhava, mais queria ganhar, quanto mais tinha, mais queria ter.
Num ano em que o peixe começou a escassear, o velho pescador ficou preocupado e tomou uma decisão: levou comida suficiente para vários dias e subiu a uma rocha junto do mar para pedir ao Grande Deus das Águas que voltasse a dar-lhe a abundância perdida. Só dali sairia quando a divindade das águas atendesse o seu pedido.
O velho pescador era um homem experiente e obstinado e sabia que o Grande Deus das Águas acabaria por atender os seus pedidos. Ele sempre fora devoto e dedicado, e quando se fazia ao mar, prometia à divindade oferendas várias, e cumpria o que prometia. 
 Dá-me uma faina farta – disse, erguendo as mãos para o céu, e eu acenderei velas e farei muitos sacrifícios em teu nome.
Enquanto o velho pescador se desfazia em promessas, o mar ia subindo e cercando o rochedo onde ele se encontrava. 
Primeiro passou por ele um pequeno barco de pesca e aquele que o conduzia gritou-lhe no meio do fragor das ondas: 
Tem cuidado, que a maré está a subir. Se não saíres agora, terás dificuldade em fazê-lo. 
O velho pescador não lhe deu ouvidos e continuou, de olhos postos no céu de chumbo, a fazer as suas promessas e as suas rezas.
Depois voou-lhe em círculos, rente à cabeça, uma gaivota, que lhe murmurou: 
O rochedo em que estás ficou cercado pelas águas. É melhor que partas enquanto é tempo. 
Mas também à gaivota o velho pescador não quis dar ouvidos, continuando a falar para o alto, para o Grande Deus das Águas, pedindo-lhe a abundância de peixe e a riqueza que ela traz consigo.
Por fim, saltou das águas um grande peixe-voador, com escamas prateadas, e disse-lhe: 
As águas do mar cercaram-te. Se não saíres agora, estás perdido. Ainda posso ajudar-te, se tu quiseres. Podes montar-te no meu dorso, e deixar-te-ei em terra, são e salvo. 
Mas também desta vez o velho pescador não deu ouvidos a quem, esforçando-se, tentava avisá-lo e pô-lo a salvo. 
Quando caiu a noite, o velho pescador, já cansado de tanta reza, tentou partir. Tinha os braços e as pernas entorpecidos pela humidade e os lábios ressequidos pelo sal. Olhou à volta e viu que estava condenado. O nível das águas subira muito, e ele não tinha forma de voltar à terra. Aí, levou as mãos à cabeça e dirigiu-se de novo ao Grande Deus das Águas, desta vez em tom de protesto:
Senhor, não só não atendeste os meus pedidos como me deixaste aqui cercado sem nada fazeres para eu ser salvo. 

Isso é falso – disse uma voz grave e sincopada lá no alto, no meio das nuvens de tempestade – , mandei um pescador, uma gaivota e um peixe-voador avisarem-te, mas 3 a nenhum quiseste dar ouvidos. E assim tem sido toda a tua vida. Só deste ouvidos ao tilintar das moedas que a abundância de peixe te punha nos cofres. Mas quem dá o peixe, também o tira.

O velho pescador cobriu o rosto com as mãos e ficou à espera, desolado, que o mar o levasse, e estava tão cansado que adormeceu. Quando acordou, descobriu, com surpresa e alívio, que afinal estava vivo. Levantou os braços para o céu, agradecendo ao Grande Deus das Águas e, desse dia em diante, passou a contentar-se com o peixe que o mar tinha para lhe dar. Diz-se mesmo que repartiu a sua frota de pesca pelos pescadores mais pobres e que nunca mais voltou àquele rochedo, nem mesmo para agradecer ao Grande Deus das Águas os anos que ainda lhe deu de vida. Sempre que um peixe-voador lhe vinha parar às redes, apressava-se a libertá-lo, murmurando:

 Não sei se foste tu que me avisaste do perigo que eu corria, mas se não foste tu, és pelo menos muito parecido

Enviar um comentário