INTRODUÇÃO

Pedrinhas e Cedovém são dois Lugares à beira mar, situados entre Ofir e a Apúlia, no concelho de Esposende - PORTUGAL.
Localizam-se num lugar calmo em cima do areal, onde pode almoçar e jantar com uma gastronomia típica local e poder usufruir de uma paisagem natural marítima Atlântica a uma temperatura do Litoral do Sul da Europa.

Onde construções CELTAS ou da Idade do Bronze, os barcos-de-pedra, hoje as casas-barco, são construções que desabrocham de fundações milenares, que resultam uma relação de interligação única com a paisagem. Contam os livros do Séc XVIII, que quando as legiões romanas chegaram aqui, as construções lhes fizeram lembrar os trullo de Apúlia em Itália, daí lhe darem o nome Couto d’Apúlia

Os caminhos e os percursos de acesso ainda se encontram em areia e criam uma composição que conjuga de forma perfeita entre a topografia e época das construções, o que dá um cunho único ao Lugar. Se estivermos acompanhados com alguém especial, imediatamente nos apaixonamos e nunca mais conseguimos cortar o "cordão umbilical" com este LUGAR cheio de magia e de uma beleza natural única.

Arquitetura


HISTÓRIA DO LUGAR
Não se sabe exactamente qual a altura das construções, mas uma coisa é certa, são muito antigas, dizem que é um lugar milenar, remontam à altura do Império Romano. A sua arquitectura tem um carácter histórico sólido. Em 28 de Outubro de 1877 o Rei de Portugal reconheceu a sua importância e mandou passar pela Sereníssima Casa de Bragança a escritura de aforamento e remissão que possibilitou aos "cem homens bons", agricultores da aldeia de Fonte Boa e arredores, poderem ali nas suas barracas pescarem o pilado (caranguejo muito abundante na zona) e apanharem o sargaço (algas do mar), para poderem estrumar as suas terras e tirar melhores benefícios das suas "masseiras". (Terras riquíssimas na qualidade de produção de vegetais: Cenouras, batatas, alface romana, cebolas, etc.)

ARQUITECTURA VERNÁCULA
Desta forma, para que os consortes pudessem gozar o areal, houve a preocupação de transformar as construções existentes em construções arquitectónicas eficazes e funcionais.

"Fotografia do livro da Arquitectura popular em Portugal"

Já existiam duas tipologias de construção de cabanas em pedra
- Uma cabana de planta rectangular, construída em banda, paralela ao mar (havendo no entanto em Cedovém em posição perpendicular) cuja função era abrigo, arrecadação de utensílios para a faina da apanha do sargaço e pesca. Esta construção teve origem na experiência da legião do soldados romanos, que tendo estes experiência militar nasceu da tenda de acampamento, que depois passou para a madeira e chegando até aos dias de hoje em pedra. A necessidade de guardar este lugar pelo exercito foi tão grande que até lhe deram o nome de grama d´oiro.





"Fotografia do livro da Arquitectura popular em Portugal"













- A outra cabana com forma de planta oval, que funcionava também como abrigo, arrecadação de utensílios, sargaço seleccionado e barco fora da época das actividades sazonais, mas a sua origem derivou da forma da embarcação VIKING. Oriunda de um estaleiro naval de proveniência de túmulos Vikings / Normandos.






Cabana oval



Embarcação para a pesca do pilado

Conjunto de cabanas ovais

Proa do barco

Proa da cabana




Ambas as cabanas foram consolidadas pelos proprietários que eram oriundos de Fonte-Boa e arredores, daí traziam as pedras empilhadas nos seus carros de bois para as fortalecer em cima da areia na própria duna onde tinha "morrido" a embarcação ou a tenda.

carro com parelha de bois


Cabana de Cedovém

As pedras das construções na sua maioria são em xisto, pois é o tipo de pedra predominante na sua origem Fonte-Boa. Os proprietários levantaram as paredes de alvenaria, com essa tipologia de pedra sem as cortar nem as trabalhar, com fragmentos, toscas de diferentes tipos de xistos, tamanhos e formas. As paredes foram erguidas de forma ordinária e aparelhada.


Cabana do Lugar das Pedrinhas

Características e Estilo

O aparecimento das construções ovais, de origem das grubehus (palavra Dinamarquesa, que traduzida para Português é "casa da cova") apareceram através dos Dragons (vikings), na necessidade de arranjarem em terra as suas embarcações, durante as nortadas as embarcações sofriam tempestades de areia que em pouco tempo os cascos das embarcações ficavam enterradas o que obrigava a por estacas para endireitar a embarcação e a realizar um buraco na areia, para  assim poderem arranjar o casco e durante esse tempo enfiavam-se dentro da embarcação e mantinham-se sob refugio e abrigo de qualquer ataque inimigo ou precipitação atmosférica, tendo levado mais tarde de situações provisórias,  semiprovisórias e depois a definitivas com pedras em forma do delimitar da embarcação, como já foi referido.

Lugar de Sedovém



As construções, que de inicio eram estaleiro naval começaram a ter um carácter mais permanente, originando a aplicação de tábuas de madeira em redor da embarcação, a necessidade de vedar o acesso à embarcação , proporcionado também só uma entrada para que pudessem ser protegidos com menos homens o local e possibilitar o armazenar os utensílios com mais eficácia na ausência dos seus donos. As tábuas em redor passaram rápidamente a pedras sobrepostas, (vindas da localidade de Fonte-Boa) e a estrutura (oval) da cobertura da embarcação viking mantinha-se com a proa virada para terra e a popa virada para o mar, posição da entrada da embarcação no areal. De situação de estaleiro naval, passou a cabanas, ficando assim como casas-barco. Poderemos também chamar os primeiros barcos-de-pedra. A aplicação de lajetas de xisto e/ou colmo por cima do casco da embarcação, foi uma aplicação normal de moda, numa determinada época, pois era a aplicação da cobertura nos castros vizinhos e método conhecido pelos ancestrais locais.



Com a vinda da colonização Romana a cobertura existente passou a telha canudo e a entrada começou a ter porta em madeira para uma protecção e uma arrecadação mais eficaz. No entanto a configuração da cobertura manteve-se até aos dias de hoje com três águas, duas águas do lado virado para terra, derivada da quilha em V do casco e a terceira água do lado virado para o mar, derivada à popa do casco da embarcação.





Lugar das Pedrinhas 1970

Cabana oval do Lugar das Pedrinhas

Cabana oval do Lugar das Pedrinhas

Agora os proprietários já podem permanecer dentro das construções (barcos-de-pedra) com mais segurança na época sazonal de recolher o pilado e do sargaço, em quantidade de poderem estrumar as suas terras.










Ano após ano quando se deslocavam de Fonte-Boa para as Pedrinhas, iam nos seus carros de bois carregados com pedras, para que pudessem consolidar as suas construções e dessa forma protegerem-se não só quando pernoitavam, como também quando aguardavam a secagem do sargaço recolhido do mar. Garantiam assim com estas casas-barco uma melhor protecção dos barcos, jangadas e dos utensílios na ausência dos proprietários.


Sargaceiro com a sua Branqueta nas Pedrinhas


 IMAGENS ATUAIS































Sistema construtivo das cabanas:
  • Construções ovais
As construções ovais tinham dois vigamentos. Estes vigamentos localizavam-se paralelamente um ao outro, dividindo em três espaços a área da cobertura. A partir destes vigamentos levantavam-se dois prumos laterais que suportavam uma madre cada, e o do meio que é o pendural suportava a fileira. Em cima destes madeiramentos preenchia-se com varas, que serviam de fixação às ripas que aparavam a telha de canudo de barro,  formando um telhado de três águas.





CRONOLOGIA 
DO 
LUGAR DAS PEDRINHAS

GRAMA D'OIRO
Século 4 antes de Cristo

OESTRIMINIS
Século 3 antes de Cristo

 OPHIUSSA
Século 2 antes de Cristo

 BÉTICO
Século 1 antes de Cristo

GALLAECI
ROMANOS
Século de nascimento de Cristo 

 GALLAECI
BARCARA
Século 1

 GALLAECI
PULHA - BRACARA
SEURCI
Século 2

QUAEQUE FINI PELAGI JACTAT BRACARA DIVES
"junto às praias do mar Bracara orgulha-se da sua prosperidade (ou riqueza)"
Século 3

BRACARA DO VISIGÓDO
TEODÓRICO II
Século 4

REGNUM SUEVORUM
GRAMA OIRO
Século 5

GRAMA OIRO DA PULHA
Século 6

GRAMA DÓIRO DA PULHA
Século 6

GRAMA DOIRO DA PULHA
Século 7

PORTUCALE
GRAMADOIRO
Século 9

CONDADO PORTUCALENSE
GRAMADOIRO
Século 10

PORTUGATELO
GRAMADOIRO DA PUGLIA
Século 11

GRAMA OIRO
Século 12

INQUISIÇÃO
D. AFONSO 2
SANCHO MICHAELLI DE APULIA
GRAMA DOIRO
Século 12

GRAMADOIRO
COUTO DA PULIA
Século 14

GRAMADOIRO
COUTO DA PULIA
Século 15

FRADE
COUTO DA PÚLIA
Século 16

OFIM LUSITANIA
S. MIGUEL COUTO DA PÚGLIA
PAREDES ELPOFENDE
Século 17

PORTUGALLIAE
S. MIGUEL DO COUTO DA APÚGLIA
ESPOZENDE
GRAMADEIRA CABANAS
Século 18

GRAMADOIRO
CAVALOS FOM
CABANA DE PUGLIA
ESPOZENDE
Século 19

LUGAR DAS PEDRINHAS
PRAIA NOVA - APÚLIA
ESPOSENDE
Século 20

PEDRINHAS
APÚLIA - ESPOSENDE
Século 20


FILME DA CRONOLOGIA